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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
AABIC na Mídia
 
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Infomoney
Quinta, 24 de julho de 2008

Condomínio: não-pagamento apresentou elevação em maio, aponta AABIC

Por: Equipe InfoMoney
17/07/08 - 09h20
InfoMoney

SÃO PAULO - A taxa de não-pagamento entre os condôminos de São Paulo aumentou no curto prazo. Em maio deste ano, o índice de mora (valores emitidos com vencimento no mês e não pagos no próprio mês) atingiu 8,19%, o que representa 0,69 ponto percentual a mais do que em abril.

De acordo com o Ipemic (Índice Periódico de Mora e Inadimplência Condominial), divulgado nesta quarta-feira (16) pela AABIC (Associação das Administradoras de Bens Móveis e Condomínios), na comparação com o quinto mês de 2007, houve aumento de 2,38 p.p.

Inadimplência
Por outro lado, o índice de inadimplência (valores emitidos com vencimento no mês e não pagos até 90 dias após o vencimento) aumentou 0,07 p.p. em março* (4,84%), frente a fevereiro, e reduziu 0,85 p.p. em relação a março de 2007.

Sobre a pesquisa
O levantamento foi realizado com base em informações de 1.501 condomínios administrados por treze empresas associadas à AABIC

   

Folha de São Paulo
Quarta-feira, 23 de julho de 2008

Condomínios comemoram nova lei em SP
Administradoras e síndicos prevêem maior rapidez com alterações na cobrança de dívidas de moradores inadimplentes

Lei sancionada por Serra obriga cartórios do Estado a aceitarem o protesto contra condôminos inadimplentes ou devedores de aluguel

ANAY CURY

Síndicos e administradoras de condomínios de São Paulo estão animados com a lei que obriga os cartórios do Estado a aceitarem o protesto contra condôminos inadimplentes ou devedores de aluguel. Segundo a Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), nos cerca de 30 mil condomínios da capital paulista, 7% dos condôminos estão inadimplentes. A expectativa é que, com a lei, os processos de cobrança se resolvam mais rapidamente.

Hoje é preciso entrar na Justiça, e a solução leva cerca de um ano e meio. Além disso, os custos deverão diminuir para ambas as partes, já que não será preciso arcar com as custas de advogados para resolver o problema. Os cartórios não cobrarão para protestar dívidas, assim, os condomínios não terão gasto nenhum. O devedor, porém, ainda terá de pagar taxas ao cartório para limpar o nome, que variam de acordo com o montante do débito, segundo o presidente do Instituto de

Estudos de Protesto de Títulos do Brasil - Seção São Paulo, José Carlos Alves. O projeto, da deputada Maria Lúcia Amary (PSDB), foi sancionado anteontem pelo governador José Serra (PSDB) e publicado ontem no "Diário Oficial" do Estado. Para Amary, a medida também poderá fazer com que o número de inadimplentes diminua, evitando, assim, que o valor dos condomínios dos outros moradores suba, como ocorre hoje. Isso porque quem tem o nome protestado no cartório é incluído nos serviços de proteção ao crédito, o que dificulta o acesso do devedor a financiamentos, por exemplo.

O presidente da Aabic, José Roberto Graiche, orienta os condomínios a tentarem negociar o débito por pelo menos três meses. Caso o pagamento não seja feito nesse período, o credor, então, deverá recorrer ao cartório. "Essa lei tem de ser usada com cuidado. A negociação ainda costuma ser a melhor saída", recomenda. "Cobranças judiciais dão mais trabalho", diz Arlete Pissuti Zanini, síndica de um edifício em Santana (zona norte). Dos 72 apartamentos, 3 estão sendo cobrados judicialmente.

   

O Estado de São Paulo
Domingo, 29 de junho de 2008

Lei que prevê protesto é polêmica
Segundo especialistas, é possível que haja onda de ações na Justiça para sustar iniciativas contra inadimplentes

Renata Gama

O projeto de lei 446/2004, da deputada Maria Lúcia Amary (PSDB), que prevê a permissão para que condôminos devedores e locatários inadimplentes sejam protestados nos cartórios do Estado de São Paulo, aprovado no último dia 18 na Assembléia Legislativa, ainda não foi sancionado pelo governador José Serra, mas já provoca polêmica no meio jurídico.

Conforme Plínio Ricardo Hypolito, advogado especializado em direito imobiliário, é possível que a medida provoque uma série de ações na Justiça na tentativa de cancelar os protestos. “Porque a legislação federal não considera as despesas condominiais como título executivo extrajudicial, já que lhe são ausentes os requisitos da certeza e da exigibilidade da obrigação”, explica. Em outras palavras, isto possibilitaria ao condômino protestado entrar com medida cautelar para sustar o protesto.

José Roberto Graiche, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic), que também é advogado especializado em direto imobiliário, concorda em parte com a opinião. No caso de dívidas com aluguel, para ele, não há dúvidas de que quem não pagar poderá ser, sim, protestado, em conformidade com a exigência da lei federal. Já o protesto da taxa condominial poderá suscitar debates.

No entanto, segundo ele, não seria tão complicado resolver o impasse a favor do condomínio. “Quando você tem as despesas condominiais aprovadas em reunião de condomínio pela assembléia, e consta da ata os valores devidos, não pairam dúvidas sobre sua liquidez e certeza”, explica. Em outros Estados como Minas Gerais, Paraná e Ceará, a medida já é válida.

Para Graiche, se aprovada, a medida além de inibir a inadimplência, deve facilitar a vida dos devedores que estão dispostos a quitar seus débitos. “Para quem quer pagar, sai mais barato pagar no cartório de protesto do que no fórum, porque não há custos processuais e nem honorários de advogado. É bom para todo mundo.”

Com isso, espera-se que as taxas de inadimplência caiam e, como conseqüência, os valores dos condomínios se tornem mais justos. “Sempre que há alto índice de inadimplência, quem paga em dia é penalizado.” Ele defende que, a inibição da inadimplência provocada pela possibilidade de “sujar” o nome do devedor, que terá dificuldades de obter crédito, terá impacto positivo nas contas dos condomínios, podendo até reduzir a cota por unidade. “Com o protesto, será possível evitar rateios extras para cobertura de inadimplentes. E, quem sabe, em alguns casos pode sobrar dinheiro em caixa.”

Na opinião do presidente da Aabic, a medida vai beneficiar ainda pessoas que dependem do recebimento do aluguel para viver. “Não existe mais latifundiário urbano. A média de propriedade por locador em São Paulo é de 1,5 imóvel por pessoa. Os imóveis alugados estão nas mãos quem necessita da renda. É uma fonte de subsistência. Não é justo que fiquem esperando um ano pra receber.”

COBRANÇA

Segundo Graiche, a medida deve ser usada com bom senso pelas administradoras de condomínio. “Independentemente de ser sancionada ou não a lei, as empresas já têm know-how para negociar as dívidas. Antes que o locatário inadimplentes seja protestado, vão ser esgotadas todas as possibilidades de composicão amigável.”

Conforme a Assembléia Legislativa, o projeto de lei ainda não foi encaminhado para a sanção do governador, o que deve ocorrer ainda esta semana. Após o recebimento do projeto, José Serra terá 15 dias úteis para sancionar e promulgar; vetar total ou parcialmente; ou ainda silenciar. Neste caso, a Assembléia terá dez dias pra promulgar a lei.

Cresce a adoção do seguro fiança
Segundo a Aabic, 7% dos contratos de locação eram garantidos pela modalidade; hoje, fatia subiu para 30%

Renata Gama

A opção pelo seguro fiança como forma de garantia nos contratos de locação tem crescido de forma significativa. Segundo a Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic), apenas este ano o aumento foi da ordem de 300%. Se a fatia abocanhada por esta modalidade de garantia nos contratos de locação era de cerca de 7% ou 8%, hoje fica em torno de 30%.

Cerca de 55% dos contratos ainda são feitos com o fiador tradicional - quando o locatário pede a um conhecido ou parente para que se comprometa a pagar o valor do aluguel e encargos, em caso de inadimplência. E o fiador oferece um imóvel em seu nome como garantia. A preferência se explica pelo fato de ser a opção mais econômica para o locatário. Outros 15% dos contratos são firmados com garantia feita por caução - depósito de três meses, segundo a Aabic.

Para o locador, o seguro fiança é mais confiável, porque em caso de inadimplência, ele recebe o valor do aluguel e tem os encargos relativos ao imóvel pagos integralmente num prazo curto. Para o locatário, há o inconveniente do pagamento da taxa uma vez por ano.

Quando a garantia é feita por fiador tradicional, o locador corre mais risco em caso de inadimplência, já que a cobrança da dívida ao fiador é feita somente após a ação de despejo do inquilino. “Fiador é sempre um problema para o locador. Porque ele pode desaparecer ou vender o imóvel, que é a garantia à locação”, diz o presidente da Aabic, José Roberto Graiche. Para o locatário, no entanto, há a vantagem de não precisar pagar pela garantia.

Um dos motivos para o aumento do número de contratos com seguro fiança no mercado de locação é a flexibilização das condições de aprovação dos contratantes, pelas companhias seguradoras. O preço também caiu ao longo do tempo. Antes chegava a uma vez e meia o valor do aluguel. Hoje, fica em torno de 120%. Isso fez com que o produto ficasse mais acessível e também mais conhecido, a ponto de muitos proprietários atualmente só aceitarem alugar com este tipo de garantia.

Na carteira da administradora Adbens, a proporção entre contratos firmados com fiador e seguro fiança foi invertida. No início de 2007, 79% dos contratos eram garantidos por fiadores tradicionais, ante 10% de seguro. Em maio deste ano, 37% foram feitos por fiadores e 63% por seguro.

Isso ocorreu por um esforço da própria administradora, segundo a diretora Ana Paula Pellegrino: “Foi uma estratégia de negócios da nossa empresa. A gente apostou no seguro, passou a incentivar porque houve um abrandamento da exigência das seguradoras na aprovação do cadastro e é mais seguro para o proprietário”.

   

O Estado de São Paulo
Domingo, 29 de junho de 2008

Preço administrado, o próximo vilão
Ao contrário do que vinha ocorrendo, reajustes de tarifas, como a de energia, contribuirão para a alta da inflação

Márcia De Chiara

Os preços administrados deixarão de contribuir positivamente para segurar a inflação neste ano por causa da disparada dos Índices Gerais de Preços (IGPs), que são parâmetros de aumentos de várias tarifas. O IGP-M, por exemplo, subiu em 12 meses, até junho, 13,44% e a perspectiva é de que continue em trajetória ascendente nos próximos meses, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Nas contas da economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria Integrada, os preços administrados devem aumentar 4,6% este ano e 4,9% no ano que vem no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 12 meses até maio deste ano, os preços administrados subiram 1,5%, quase a mesma variação registrada no ano passado inteiro, que foi de 1,65%. Para o IPCA cheio deste ano, a consultoria prevê elevação de 6,2% ou mais.

“O momento é arriscado, o nível de indexação da economia é o mesmo, mas a inflação está aumentando”, diz ela. Marcela destaca que, além da inflação dos alimentos, que é base da disparada de preços, os reajustes das tarifas levam a uma piora no quadro. “Os reajustes da passagem de ônibus e do diesel virão mais para o fim do ano.”

Análise semelhante sobre a a pressão dos preços administrados é feita pelo coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Em 12 meses até junho deste ano, os preços administrados subiram 1,41%, ante elevação de 2,45% registrada em 12 meses até dezembro do ano passado. O recuo é de 1,04 ponto porcentual. Os números foram calculados a partir do Índice de Preços ao Consumidor-Mercado (IPC-M).

“Os preços administrados ainda estão dando uma colher de chá, mas vão começar a acelerar a partir do segundo semestre, coisa que estamos desacostumados”, diz Quadros.

Ele lembra que o preço da energia elétrica teve queda no ano passado por causa da revisão tarifária e, neste ano, não deve se repetir essa tendência. Outro exemplo de pressão altista de tarifa deve ocorrer na telefonia fixa. No ano passado, diz ele, com a mudança de pulso para minuto, houve queda na conta de telefone. Neste ano não haverá esse efeito.

Quadros mostra com números do IPC-M que os preços dos serviços livres já exibem uma elevação. Em 12 meses até junho, eles subiram 5,52%, ante elevação de 4,23% em 12 meses encerrados em dezembro do ano passado. Os serviços livres incluem alimentação fora de casa, serviços na residência, serviços médicos, recreação, educação e transporte. “Todas as classes de serviços livres tiveram elevação nesse período”, observa o coordenador da FGV.

Segundo ele, a indexação formal está menor, mas a magnitude de alta dos IGPs acaba tendo impacto maior na realimentação da inflação. “A saída é negociar os aumentos.”

É exatamente isso que o músico profissional Gerson Trincha Oikawa, de 38 anos, pretende fazer para reduzir o seu aluguel. No mês passado, ele foi surpreendido por um reajuste de 11,8% no valor que paga mensalmente por uma casa de um dormitório na Vila Madalena, na zona oeste da cidade. “Sem imposto predial, eu pagava R$ 626 até abril e, a partir de maio, o aluguel subiu para R$ 700.”

A diferença de R$ 74 pode parecer pouco, mas não é no caso de Oikawa, que não recebe um salário fixo. Ele conta que, nos últimos três anos, os aumentos foram muito pequenos e, neste ano, ele foi pego de surpresa. “Vou tentar negociar com o proprietário, alegando que o imóvel não tem garagem. A minha proposta é manter o valor pago”, diz ele, que já pesquisou outros imóveis semelhantes na mesma região em que mora e constatou que “tudo está muito caro”.

AQUECIMENTO

A estratégia do músico talvez não tenha o efeito desejado. Segundo o presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), José Roberto Graiche, o mercado para alugar imóveis está superaquecido hoje na cidade de São Paulo, com a demanda muito superior à oferta, especialmente no caso de imóveis de um ou dois dormitórios.

“A situação hoje é delicada”, diz a gerente de locação e Venda da Lello Imóveis, Roseli Hernandes. Segundo ela, dois anos atrás, com o mercado fraco para locações, os reajustes dos aluguéis pelo IGP-M não eram aplicados ou aplicados parcialmente pelos proprietários. Hoje, o quadro mudou: há fila de espera para alugar e os reajustes devem ser efetivados integralmente.

   

Folha de São Paulo
Domingo, 15 de Junho de 2008.

Aluguel em alta
Locações sobem mais que inflação no ano; para ganhar poder de negociação, inquilino deve zelar pelo bem

Cuidar bem do imóvel é o segredo de Cristina Romeiro, que mora com as filhas (na foto, uma delas), na negociação do reajuste

MARIANA DESIMONE

Os valores de reajuste das locações têm superado os índices de inflação, e essa alta passa pela lei da oferta e da procura. Entre maio de 2007 e abril de 2008, o Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário) contabiliza um aumento médio de 7,76% dos aluguéis na cidade de São Paulo contra 5,04% do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O índice de reajuste de aluguéis da Aabic (associação de administradoras), por sua vez, aponta alta de 13,55% nos cinco primeiros meses de 2008, frente a 4,74% do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado).


" A falta de oferta é o principal fator para os aumentos dos aluguéis", sentencia o vice-presidente de locação do Secovi-SP, José Roberto Federighi. "Há grande demanda por imóveis em bom estado em Perdizes [zona oeste], Higienópolis [centro], Moema, Aclimação e Vila Mariana [zona sul]", diz. Sofreram maior alta os que têm até dois quartos e ficam perto do metrô e de escolas. "O aluguel de um apartamento com um quarto e garagem no Sumaré [zona oeste] custava em média R$ 800 [em 2007]. Hoje, vale R$ 1.000 por mês", exemplifica o dono de imobiliária Lucio Mugnaini. "Imóvel com esse perfil não fica vazio."

Em falta


Outra explicação para as elevações é um déficit de lançamentos de imóveis com o perfil descrito pelo presidente da Aabic, José Roberto Graiche. " A população que buscava dois dormitórios não encontrava. Nos últimos cinco anos, a construção civil ficou focada em imóveis de alto padrão." Para José Viana Neto, presidente do Creci-SP (conselho de corretores), há outro novo componente na equação: o maior poder de barganha do locador. "Há alguns anos, o inquilino tinha mais possibilidade de escolha", afirma. Para equilibrar essa negociação, uma dica para o locatário é cuidar bem do imóvel. Para o locador, é vantagem ter um inquilino de confiança. Houve ainda um movimento migratório na capital, iniciado em 2003, explica Viana. "Inquilinos de áreas centrais foram em busca de moradias mais baratas nas áreas periféricas. Hoje, com maior poder de compra, estão voltando para o centro."

 
Jornal da Tarde
Sexta-feira, 30 de Maio de 2008
Aluguel vai ficar 11% mais caro

Esse é o acumulado de 12 meses do IGP-M, base para reajuste de 90% dos contratos de locação

CAROLINA DALL’OLIO

Os inquilinos podem preparar o bolso. Os contratos de aluguel que vencem nos próximos dias vão sofrer aumento de 11,53%. Essa é a inflação acumulada nos últimos 12 meses pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que serve de base para reajuste de mais de 90% dos contratos vigentes.

“O aluguel é uma despesa pesada para o consumidor. Por isso, qualquer variação de preço causa um impacto significativo no orçamento das famílias”, afirma José Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP).

Viana informa que 60% dos aluguéis no Estado de São Paulo custam cerca de R$ 500. Com o reajuste, esse grupo de locatários vai ter de desembolsar R$ 57,05 a mais todo mês. “Pode parecer pouco, mas é preciso levar em conta que quem paga um aluguel desse valor geralmente não ganha mais de R$ 2 mil”, estima o presidente do Creci-SP.

A renovação do contrato de aluguel da profissional liberal Roseli Martins de Oliveira Reis, de 46 anos, está para vencer agora em junho. Por isso, a notícia da alta do IGP-M deixou a locatária preocupada. Para morar em uma casa de dois quartos no bairro do Paraíso, Zona Oeste de São Paulo, ela paga R$ 1 mil por mês. Mas de acordo com os cálculos de Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o aluguel de Roseli pode subir para R$ 1.114,10. “Eu vou tentar conversar com o proprietário para que, se houver aumento, ele não seja assim tão grande”, afirma a inquilina.

Para José Roberto Graiche, presidente da Associação de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), a melhor estratégia é mesmo negociar o reajuste com o dono do imóvel. “O diálogo entre proprietários e inquilinos é a saída mais adequada para evitar inadimplência e cancelamento de contratos”, declara Graiche. Os dados da AABIC comprovam de que as negociações têm sido bem-sucedidas. Em 2007, a quantidade de locatários inadimplentes caiu na mesma medida do número de processos judiciais contra inquilinos e proprietários: 37% em 12 meses.

Entretanto, Graiche avisa que os locatários não terão tanto poder de barganha como no passado. “Hoje, com o mercado aquecido, um corretor demora no máximo 60 dias para alugar um imóvel vazio - o que significa que tem muita gente disposta a ocupar o lugar de inquilinos que não quiserem pagar o preço cobrado pelos proprietários”, diz o presidente da AABIC. “Para se ter uma idéia, há cinco anos, o prazo era de 180 dias.”

Viana Neto, do Creci-SP, acredita que o reajuste, embora pesado para os consumidores, corrige uma distorção do mercado. “Os imóveis que estão ocupados havia muito tempo não acompanharam a valorização imobiliária que ocorreu nos dois últimos anos”, afirma. “Por isso, a alta do IGP-M é uma forma de recompensar as perdas que os proprietários tiveram nesse período.”

   
O Estado de São Paulo
Domingo, 25 de Maio de 2008

Localização não influencia em taxa

O preço da cota de condomínio está ligado a custos fixos e não ao valor do imóvel e varia conforme consumo

Renata Gama

Muita gente pensa que, quando um apartamento fica num bairro valorizado, necessariamente a taxa de condomínio é alta. Mas esta é uma idéia falsa. Os principais fatores que determinam o cálculo do condomínio estão mais ligados às despesas fixas do prédio e ao número de unidades que entram no rateio do que à sua localização. Portanto, a taxa não deve subir quando há valorização do imóvel, mas se há aumento da tarifa de água, por exemplo, sim.

Segundo Omar Anauate, diretor de condomínios da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic), os gastos com folha de pagamento dos funcionários da portaria, limpeza e zeladoria são os que mais pesam. Em média, são responsáveis por 51,94% dos custos fixos, segundo os dados de março da Aabic.

Em seguida, vêm os custos com consumo de água (12,4%); as despesas administrativas (8,91%) e de manutenção como contratos de conservação de elevadores, bombas, interfones (8,72%); seguidas do consumo de energia elétrica (5,98%). Depois de somadas todas as despesas, o principal fator que determina quanto cada condômino vai pagar é o número de unidades que participam do rateio. Quanto maior o número de pagantes, menor o valor da taxa.

Apesar de não ser determinante, a localização pode ter influência indireta nos gastos. “Ela tem relação com o salário dos funcionários, que pode variar dependendo do bairro. Um porteiro nos Jardins às vezes não ganha o mesmo do que trabalha num bairro periférico”, explica Anauate. Como a folha de pagamento é a responsável pela maior fatia dos gastos fixos, isso pode dar alguma alteração nos cálculos.

Algumas características dos condomínios também podem influenciar nas despesas. A conta pode engordar se as áreas comuns forem grandes a ponto de criarem a necessidade de contratação de pessoal extra para administrá-las, como nos condomínios clubes ou residenciais com serviços.

Já nos prédios de luxo, a taxa de condomínio alta se justifica pelo pequeno número de moradores que participam do rateio ou pelo esquema de segurança adotado. “Eles costumam, além dos funcionários de portaria, contratar seguranças particulares”, diz Anauate.


NÚMEROS

12,4%
foi a fatia média ocupada pelos gastos com consumo de água nos condomínios paulistanos, em março, segundo a Aabic

51,94%
foi o porcentual médio relativo aos gastos com folha de pagamento nas despesas dos condomínios paulistanos, em março.

   
Folha de São Paulo,
Domingo, 11 de Maio de2008

Conta menor estimula desperdício.

Medidor individual, descarga acoplada e arejador de torneira poupam bolso e ambiente

Nos casos em que o caminhão-pipa é vantajoso finaceiramente, a economia pode respingar no ambiente.
O uso desse fornecimento em substituição ao da concessionária geralmente resulta em desperdício do recurso natural. Um prédio comercial consumia 1.600 l de água e pagava R$ 31 mil à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Logo que contratou caminhão-pipa, a conta baixou para R$ 11.200. Mas, em seguida, o uso da água aumentou 20%, e a conta subiu para R$ 12.440.


" Se está mais barato, por que não usar mais? Infelizmente, é assim que muita gente raciocina", diz a síndica K.M. A própria Sabesp dá descontos de valores variados para clientes que tenham consumo superior a 3.000 m3 por mês. " A idéia é fidelizar o consumidor", justifica Emília Dalla Rosa, supervisora de marketing da empresa.

Conscientização
Para reduzir ao mesmo tempo a conta e o desperdício de água, síndicos devem manter os condôminos sempre bem informados sobre o tema. " O principal é que os prédios façam sempre campanhas de conscientização do uso adequado da água", afirma José Roberto Iampolsky, da administradora Paris Condomínios. Iampolsky conta que também surtem bons efeitos conversas com empregados do prédio e das unidades. " Se quem lida mais com água é a empregada da casa, é importante explicar para ela como economizar", sugere. O condomínio tem de ser o primeiro a dar o exemplo: "Não pode haver desperdício de água nas áreas comuns do prédio", pontua Fernando Fornícola, diretor da Habitacional e da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo).

Medição individual
Dispositivos como medidor individual para cada apartamento podem ser adotados pelo condomínio para reduzir a conta e o desperdício. " Se há uma única conta para todo o conjunto, fica realmente mais difícil cativar o morador para economizar água", argumenta Fornícola. " Mas, se ele percebe uma redução imediata na sua própria conta, a tendência será se esforçar mais", completa. Há outros dispositivos que colaboram com a diminuição do volume de água consumido dentro das unidades: a caixa de descarga acoplada ao vaso, em vez da de parede, possibilita uma diminuição de 12 l de água a cada vez que é usada. Torneiras automáticas com arejadores, que dão impressão de maior volume do jato, aliados a restritores, que diminuem a vazão da água, também colaboram com menor tempo de uso do recurso natural. " Se conseguir combinar medição individual, campanhas educativas e dispositivos inteligentes, o prédio pode chegar a 30% de economia na conta de água", aponta Fornícola.

   
O Estado de São Paulo
Domingo, 30 de Março de 2008

Fachada reformada valoriza unidades

Valor de apartamentos em prédio triplicou após modernização

Renata Gama

A aparência de um condomínio muito diz sobre a forma como ele é conservado ao longo dos anos. Tanto que é capaz até de influenciar no valor das unidades. “O mercado está percebendo que o tratamento das fachadas é importante não apenas pela harmonia, pelo aspecto estrutural e construtivo, mas também para promover alguns benefícios para o próprio edifício”, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea), Fernando Pinheiro. A entidade promove a partir de amanhã um fórum com o objetivo de discutir o assunto.

A valorização dos apartamentos como decorrência de recuperação de fachada foi o resultado, por exemplo, verificado nos três edifícios do condomínio Jardim América, na Rua da Consolação, nos Jardins, zona sul, que passou por um retrofit. “Antes tinha apartamento à venda por R$ 80 mil e ainda não encontrava quem quisesse comprar. Hoje, tem quem compre a R$ 220 mil à vista”, afirma a síndica Ofélia Rocha Castro.

Há cinco anos, o aspecto do condomínio era completamente deteriorado. “A fachada era feia, suja e toda estragada. A gente ouvia as pessoas na rua chamarem o nosso prédio de gaiola”, recorda. “Não tinha cara de residencial.”

Isso porque, além da má conservação, as janelas era divididas externamente ao meio por placas de concreto - uma solução de engenharia encontrada na época da construção, há 36 anos, para barrar o vento. “Nós ficamos numa região alta, e este foi um dos primeiros prédios acima de 20 andares construídos por aqui”, explica.

A alternativa, no entanto, prejudicava a estética do prédio. Assim, quem olhava o edifício por fora, formava uma idéia errada de como ele era a distribuição por dentro. “O pessoal não imaginava o tamanho dos apartamentos (de dois e três quartos). Olhava e achava que era de um quarto ou quitinete”, diz Ofélia.

Ela explica que as unidades são bastante amplas e contam com salas de 8 m comprimento por 4 m de largura. E há blocos com uma unidade por andar. “É difícil encontrar um apartamento desse tamanho.”

Para modernizar o visual do prédio, em primeiro lugar, foram retiradas todas as placas externas que dividiam as janelas, o que tornou a aparência geral mais limpa e despoluída.

Depois, toda a fachada, que tinha acabamento em concreto já bastante escurecido, foi pintada com cores mais claras, o que deu ao condomínio um caráter residencial.

APROVAÇÃO

Uma obra grande como esta obviamente custou mais do que se fosse apenas de manutenção. Na época, o orçamento ficou em torno de R$ 800 mil - uma despesa extra que foi rateada entre os proprietários. Além disso, o trabalho durou três anos.

Mesmo sabendo disso, o condomínio não enfrentou dificuldades para conseguir a aprovação dos moradores em assembléia para o início das obras. “Foi aprovado por unanimidade; todo mundo queria porque não tinha mais condições de morar aqui daquele jeito”, diz Ofélia.

Durante a reforma, segundo a síndica, os moradores foram compreensivos com o incômodo do barulho e da sujeira. “São problemas de toda obra, mas o pessoal colaborou muito. Ninguém achou ruim.”

A mudança acabou valorizando também as outras áreas comuns do condomínio. “Temos uma área maravilhosa com jardim e plantas criado pelo paisagista Burle Marx.”

Entretanto, mesmo após a reforma da fachada, o trabalho da síndica não pára: “Agora estamos trocando os elevadores”, diz.

Modernização pode chegar a R$ 1 milhão

Embora alto, investimento tem retorno certo, diz especialista: valores de imóveis podem subir de 15% a 20%

Retrofit de fachada implica modernização, o que significa alterar as características originais do acabamento do prédio. Portanto, esta é uma obra maior que a de manutenção e também mais cara. Conforme Rafael Nasser e Silva, diretor da empresa Engefix, especializada no serviço, enquanto a manutenção fica em torno de R$ 100 mil, o retrofit ultrapassa os R$ 500 mil e pode chegar até a R$ 1 milhão.

Segundo o executivo, o investimento é alto, mas o retorno é certo. “O objetivo principal deste tipo de obra acaba sendo a valorização. As pessoas têm nos falado que gira em torno de 15% a 20%.”

Como toda obra realizada na fachada de um condomínio, o retrofit necessita ter aprovação dos proprietários em assembléia. Porém, o número de votos necessários é maior do que no caso de manutenção. “Quando a obra é de recomposição da fachada, por estar danificada ou suja, sem alterar aspectos arquitetônicos, é chamada de ‘obra necessária’ e pode ser aprovada com a maioria simples dos condôminos presentes na assembléia sem necessidade de quórum especial”, explica o presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic), José Roberto Graiche.

No entanto, quando a obra vai alterar as características da fachada, a legislação pede a unanimidade dos presentes. “Entretanto, nossos tribunais têm dado ganho de causa aos condomínios que alteram fachada com autorização de dois terços dos condôminos”, afirma.

Mas para Hubert Gebara, vice-presidente de Administração de Condomínios do Sindicato das Empresas de Habitação de São Paulo (Secovi-SP), para que o edifício obtenha uma valorização maior, além do retrofit na fachada, é importante não esquecer dos demais aspectos estruturais do condomínio.

“Não adianta reformar a fachada e deixar elevadores velhos, vazamentos, etc”, alerta. Segundo ele, é imprescindível rever de tempos em tempos as instalações hidráulicas e elétricas. Com essas mudanças, ressalta ele, a valorização pode chegar até 30%. “Isso se for bem escolhida a reforma”, ressalta.

FUNDO PREVENTIVO

Para que este tipo de despesa não pese tanto no bolso dos proprietários e possa ser feita regularmente, Gebara recomenda que se crie um um fundo específico para obras futuras. “Seria um tipo de seguro do prédio, que pode ser depositado mensalmente em conta separada”, diz. Esta é uma prática que já ocorre nos Estados Unidos. “Após dois ou três anos, se quiser reformar, tem dinheiro.”

   
Revista Construção & Negócios,
Edição nº09 - Fevereiro 2008

MERCADO IMOBILIÁRIO

O velho e bom aluguel

Camila Escudero

Quem nunca ouviu a história de que aqui, no Brasil, o melhor investimento que alguém poderia fazer durante a vida era comprar duas ou três casinhas para, na velhice, ter no aluguel uma fonte de renda garantida (além da irrisória aposentadoria do INSS), que atire a primeira pedra. Num país marcado, historicamente, por instabilidade econômica e sucessivas crises políticas, não foi difícil o imóvel – um bem físico e real – ocupar o posto de primeira opção de investimento entre os mais variados níveis financeiros.

Hoje, no entanto, muita coisa mudou. Com a inflação há pelo menos 13 anos sob controle, perspectivas de crescimento e de baixa dos juros, aberturas no mercado de ações, além da infinita gama de opções oferecidas pelos bancos (previdência privada, poupança, CDBs, RDBs, apenas para citar algumas modalidades), quem investe em imóvel é taxado como conservador. Mesmo assim, com todos os prós e contras, a locação ainda é considerada por muitos uma opção de investimento rentável.

“É inegável que investir em imóvel traz um conforto psicológico muito grande. Quem coloca 90% do seu patrimônio num imóvel dorme tranqüilo; já quem aplica 50% dele em ações, por exemplo, não dorme tão bem assim”, avalia Mauro Halfeld, especialista no mercado financeiro nacional, professor titular da Universidade Federal do Paraná e autor de vários livros, entre eles Seu imóvel: como comprar bem. Segundo Halfeld, outra vantagem é que o imóvel é um grande disciplinador. “Nenhum outro investimento impõe tanta disciplina ao investidor porque, no geral, todo mundo se aperta, poupa daqui e dali para comprar uma casa, o que não ocorre, por exemplo, com uma aplicação, que recebe dinheiro somente quando sobra”, avalia.

José Roberto Saldanha Federig, vice-presidente de locação do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), concorda que, especialmente numa sociedade de consumo, é muito difícil guardar dinheiro, mas diz ainda que tudo é uma questão de tradição. “É difícil definir o perfil de quem investe em imóvel. Se um pai lê o jornal A, provavelmente o filho também o lerá. A mesma coisa ocorre com os investimentos. Quem vive numa família que, tradicionalmente, aplica em imóvel, provavelmente vai achar que é um bom negócio”, afirma. Independentemente disso, o imóvel sempre foi e será um bem atrativo; soma-se a isso o fato da locação ser um dos entes mais dinâmicos do segmento imobiliário – e o mercado locatário, pelo menos de São Paulo, vai muito bem, obrigada.

De acordo com números da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), em agosto, o Índice Periódico de Valores Médios dos Aluguéis Residenciais (Ipevemar) registrou alta de 1,09% em relação a julho. O número está um pouco acima da inflação medida pelo IGP-M no mês (0,98%), mas já acumula valorização de 15,14% nos últimos 12 meses, contra apenas 4,63% do IGP-M. Ainda de acordo com a entidade, a maior alta na comparação entre julho e agosto ficou por conta dos apartamentos de um dormitório: 10,45%, seguida das casas de um dormitório, que teve valorização de 8,23% em agosto. Entre as regiões da capital paulista, o campeão de alta dos aluguéis foi o grupo que corresponde a bairros de uso residencial e comercial e de médio padrão (como Aclimação, Bela Vista, Bosque da Saúde, Cerqueira César, Conceição, Consolação ou Interlagos, entre outros): nesse segmento, a alta foi de 6,5%.

“As expectativas para o mercado de locação são as melhores possíveis”, afirma José Roberto Graiche, presidente da AABIC, principalmente se considerarmos investimentos em imóveis residenciais e conjuntos residenciais de pequeno porte (um e dois dormitórios, ou de conjuntos comerciais de pequeno porte, em torno de 30 e 40 metros quadrados). “Nesses segmentos, o retorno financeiro está entre 0,8% a 1% do valor do imóvel. E ainda há de se considerar a valorização anual do patrimônio”, argumenta, completando que “é um investimento com valorização garantida e sem riscos. Nos últimos meses, só perde para a aplicação em ações”.

O professor Mauro Halfeld diz que, embora os imóveis rendam menos que as ações em longo prazo, são bem menos arriscados porque não têm liquidez. “O problema das ações é a enorme liquidez. Nos imóveis, as pessoas não saem vendendo tudo a qualquer rumor de crise. Além disso, investir em ações em curto prazo é imprevisível. Numa linha de opções de investimento, colocaria o imóvel no caminho entre as ações e a renda fixa em longo prazo”. Perguntado sobre a poupança, Halfeld até brinca: só investe nela quem tem pouco dinheiro ou é muito pão-duro.

José Roberto Graiche diz ainda que a valorização do mercado de locação não é apenas um processo de recuperação dos valores – que ficaram defasados durante muito tempo, o que levava os proprietários de muitos imóveis a preferir deixá-los fechados, ao invés de alugá-los. “Em 2003, o tempo para conseguir locar um imóvel em São Paulo era de seis meses. Hoje, trabalhamos com o prazo de 40 dias. E só não aluga quem está com o preço fora do mercado ou tem o imóvel em péssimo estado de conservação”.

O boom imobiliário

O diretor de pesquisa macroeconômica do Bradesco, Octávio de Barros, diz que é preciso avaliar ainda o boom imobiliário, que disponibiliza uma infinidade de opções de compra – o que atrai todo tipo de investidor, “do estrangeiro àquele que quer viver de aluguel na velhice”. “Somam-se a isso as opções de crédito imobiliário, que já estão crescendo e têm possibilidades imensas de aumentar ainda mais. Esse crédito totaliza hoje, no Brasil, 1,8% do PIB (na Espanha é de 50%). Isso não é nada frente ao déficit habitacional do país”, acredita. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este déficit gira em torno de sete milhões de moradias, atualmente. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), no último mês de setembro o volume de operações contratadas pelos agentes financeiros atuantes no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que operam com recursos das cadernetas de poupança, atingiu R$ 1,85 bilhão, elevando para R$ 12,18 bilhões o valor acumulado de janeiro a setembro de 2007. Além de representar um novo recorde de contratações num único mês, o volume superou em 136,89% o valor das contratações realizadas em setembro de 2006, quando as operações totalizaram R$ 782 milhões. Em 12 meses, terminados em setembro do ano passado, o volume contratado atingiu R$ 14,79 bilhões, com crescimento de 78,2% frente aos 12 meses anteriores. No que se refere ao número de unidades, somente em setembro foram financiados 18.170 imóveis; no acumulado do ano, o total chegou a 135.363, com aumento de 64,99% em relação aos primeiros nove meses de 2006. Já no período compreendido entre outubro de 2006 e setembro de 2007, 167.191 imóveis foram financiados.

Ainda segundo o diretor do Bradesco, o país vive a iminência de um fenômeno: a prestação do financiamento se aproximando ao valor de um aluguel. “Acredito que daqui a um ano e meio, mais ou menos, teremos uma equiparação entre os valores. E, ainda, daqui a uns cinco anos, o refinanciamento de imóveis – como hoje já temos com os automóveis – será uma realidade para qualquer proprietário”, afirma, prevendo ainda que a taxa real de juros no país fique em torno de 5% nos próximos três anos.

Apesar das boas expectativas com o crédito imobiliário, é utopia acreditar que, com as novas condições de financiamento, todos os brasileiros terão acesso à casa própria. Pelo menos é o que afirma José Roberto Graiche, da AABIC. Segundo ele, em países desenvolvidos, onde o crédito imobiliário é ainda mais acessível que o brasileiro, e onde a renda do trabalhador é superior à nacional, a média do mercado de locação chega a 50% dos imóveis disponíveis. “Não há por que acreditar que, justamente aqui, o fenômeno será diferente e todos os brasileiros terão um imóvel próprio. Ainda há muito espaço para se investir”, diz Graiche, baseando-se no número de domicílios locados no Brasil – que, de acordo com ele, chega a 20%, frente a 50% ou 60% de outros países.

Gastos com imóveis

Um argumento constante contra a locação como opção de investimento são os gastos que o proprietário do imóvel normalmente tem com corretor, cartório, administrador imobiliário, advogado, manutenção obrigatória (custos com pintor, pedreiro ou eletricista, entre outros), além de preocupações com depreciação do imóvel.. “Mas é preciso levar em consideração que o aluguel oferece uma renda do capital aplicado, mais a valorização do imóvel e aumento do patrimônio; tudo deve ser colocado na balança”, argumenta José Roberto Graiche, presidente da AABIC.

Além disso, é necessário contabilizar, na hora de se escolher o investimento, as taxas cobradas pelos bancos para administrar as aplicações. “Nos fundos de renda fixa e nos de ações, por exemplo, há uma cobrança dos bancos sobre o patrimônio (capital) e sobre o rendimento; no caso dos aluguéis, as administradoras cobram só pelo rendimento”, explica o professor Mauro Halfeld. A média cobrada pelas administradoras, hoje, gira em torno de 10% do valor do aluguel.

Legislação garante segurança aos contratos de locação

A chamada Lei do inquilinato, de 1991, regrou, protegeu e organizou o aluguel de imóveis, além de permitir o bom desenvolvimento do mercado.

Por 50 anos, até o começo da década de 90, o mercado de locação no Brasil viveu períodos de turbulência não só pela instabilidade jurídica, mas também pelas sucessivas crises e pacotes econômicos (mesmo em época de inflação alta, por exemplo, os valores dos aluguéis eram reajustados apenas a cada seis meses), o que resultava, principalmente, em imóveis vazios e aluguéis elevados (diante da escassez da oferta), além de proprietários resistentes à celebração de contratos, investimentos em fuga e falta de moradias e de imóveis para o desempenho de atividades comerciais.

O cenário mudou, no entanto, com a chegada da conhecida Lei do inquilinato (Lei nº 8.245), aprovada pelo então presidente da república, Fernando Collor de Mello, em 18 de outubro de 1991. “Na época o mercado locatário precisava de paz e de regulamentação. Foi preciso um grande esforço para conscientizar os dois lados, tanto os inquilinos como os locatórios, de que todos precisavam de proteção judicial, para não ficar naquela briga de bandido e mocinho”, lembra José Roberto Graiche, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC).

Entre outros pontos, a Lei do inquilinato permite ao locador a denúncia vazia, ou seja, a faculdade de rescindir a locação sem obrigação de demonstrar a razão ou o motivo da necessidade de retomada do imóvel (antes vedada em locações residenciais); admite a cobrança de “luvas” no início do contrato de locação empresarial; a escolha entre várias modalidades de garantia; a penhora do imóvel residencial do fiador; permite multas; prevê facilidades e até a cobrança antecipada do aluguel em locações para temporada ou naquelas celebradas sem qualquer garantia; exige para a renovatória o cumprimento à risca do contrato pelo locatário; atribui somente efeito devolutivo a apelações, viabilizando a rapidez das demandas judiciais; e concretiza a fixação de alugueis provisórios compatíveis com o mercado, no curso de ações judiciais.

De acordo com Graiche, não foi a melhor lei, mas a que se conseguiu. E, para a época, foi considerada bastante moderna – tanto que vigora até hoje. “O importante é que conseguimos pacificar o mercado, regrar, proteger e organizar a locação de imóveis. Se antes o aluguel era campeão de reclamações no Procon, hoje quase não há registros desse tipo de queixa”. O presidente da AABIC reconhece, entretanto, que há muito ainda no que se avançar: “por conta da sobrecarga da Justiça, as ações de despejos devido à falta de pagamento demoram muito (cerca de dois anos). Além disso, o seguro fiança ainda é muito caro e achar um fiador – ainda que esta figura esteja presente em 85% dos contratos de locação de São Paulo – está cada vez mais difícil”.

   
 

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