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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
AABIC na Mídia
Matérias da AABIC
Infomoney Quinta,
24 de julho de 2008
Condomínio:
não-pagamento apresentou elevação em maio,
aponta AABIC
Por: Equipe InfoMoney
17/07/08 - 09h20
InfoMoney
SÃO PAULO - A taxa de não-pagamento entre os
condôminos de São Paulo aumentou no curto prazo.
Em maio deste ano, o índice de mora (valores emitidos
com vencimento no mês e não pagos no próprio
mês) atingiu 8,19%, o que representa 0,69 ponto percentual
a mais do que em abril.
De acordo com o Ipemic (Índice Periódico de
Mora e Inadimplência Condominial), divulgado nesta quarta-feira
(16) pela AABIC (Associação das Administradoras
de Bens Móveis e Condomínios), na comparação
com o quinto mês de 2007, houve aumento de 2,38 p.p.
Inadimplência
Por outro lado, o índice de inadimplência (valores
emitidos com vencimento no mês e não pagos até 90
dias após o vencimento) aumentou 0,07 p.p. em março*
(4,84%), frente a fevereiro, e reduziu 0,85 p.p. em relação
a março de 2007.
Sobre a pesquisa
O levantamento foi realizado com base em informações
de 1.501 condomínios administrados por treze empresas
associadas à AABIC
Folha
de São Paulo Quarta-feira, 23 de julho de 2008
Condomínios comemoram nova lei
em SP
Administradoras e síndicos prevêem maior rapidez com
alterações na cobrança de dívidas de
moradores inadimplentes
Lei sancionada por Serra obriga cartórios do Estado a aceitarem
o protesto contra condôminos inadimplentes ou devedores de
aluguel
ANAY CURY
Síndicos e administradoras de condomínios de São
Paulo estão animados com a lei que obriga os cartórios
do Estado a aceitarem o protesto contra condôminos inadimplentes
ou devedores de aluguel. Segundo a Aabic (Associação
das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios
de São Paulo), nos cerca de 30 mil condomínios da
capital paulista, 7% dos condôminos estão inadimplentes.
A expectativa é que, com a lei, os processos de cobrança
se resolvam mais rapidamente.
Hoje é preciso entrar na Justiça, e a solução
leva cerca de um ano e meio. Além disso, os custos deverão
diminuir para ambas as partes, já que não será preciso
arcar com as custas de advogados para resolver o problema. Os cartórios
não cobrarão para protestar dívidas, assim,
os condomínios não terão gasto nenhum. O devedor,
porém, ainda terá de pagar taxas ao cartório
para limpar o nome, que variam de acordo com o montante do débito,
segundo o presidente do Instituto de
Estudos de Protesto de Títulos do Brasil - Seção
São Paulo, José Carlos Alves. O projeto, da deputada
Maria Lúcia Amary (PSDB), foi sancionado anteontem pelo
governador José Serra (PSDB) e publicado ontem no "Diário
Oficial" do Estado. Para Amary, a medida também poderá fazer
com que o número de inadimplentes diminua, evitando, assim,
que o valor dos condomínios dos outros moradores suba, como
ocorre hoje. Isso porque quem tem o nome protestado no cartório é incluído
nos serviços de proteção ao crédito,
o que dificulta o acesso do devedor a financiamentos, por exemplo.
O presidente da Aabic, José Roberto Graiche, orienta os
condomínios a tentarem negociar o débito por pelo
menos três meses. Caso o pagamento não seja feito
nesse período, o credor, então, deverá recorrer
ao cartório. "Essa lei tem de ser usada com cuidado.
A negociação ainda costuma ser a melhor saída",
recomenda. "Cobranças judiciais dão mais trabalho",
diz Arlete Pissuti Zanini, síndica de um edifício
em Santana (zona norte). Dos 72 apartamentos, 3 estão sendo
cobrados judicialmente.
O Estado
de São Paulo Domingo, 29 de junho de 2008
Lei
que prevê protesto é polêmica Segundo especialistas, é possível que haja onda de
ações na Justiça para sustar iniciativas
contra inadimplentes
Renata Gama
O projeto de lei 446/2004, da deputada Maria Lúcia Amary
(PSDB), que prevê a permissão para que condôminos
devedores e locatários inadimplentes sejam protestados
nos cartórios do Estado de São Paulo, aprovado
no último dia 18 na Assembléia Legislativa, ainda
não foi sancionado pelo governador José Serra,
mas já provoca polêmica no meio jurídico.
Conforme Plínio Ricardo Hypolito, advogado especializado
em direito imobiliário, é possível que a
medida provoque uma série de ações na Justiça
na tentativa de cancelar os protestos. “Porque a legislação
federal não considera as despesas condominiais como título
executivo extrajudicial, já que lhe são ausentes
os requisitos da certeza e da exigibilidade da obrigação”,
explica. Em outras palavras, isto possibilitaria ao condômino
protestado entrar com medida cautelar para sustar o protesto.
José Roberto Graiche, presidente da Associação
das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios
(Aabic), que também é advogado especializado em
direto imobiliário, concorda em parte com a opinião.
No caso de dívidas com aluguel, para ele, não há dúvidas
de que quem não pagar poderá ser, sim, protestado,
em conformidade com a exigência da lei federal. Já o
protesto da taxa condominial poderá suscitar debates.
No entanto, segundo ele, não seria tão complicado
resolver o impasse a favor do condomínio. “Quando
você tem as despesas condominiais aprovadas em reunião
de condomínio pela assembléia, e consta da ata
os valores devidos, não pairam dúvidas sobre sua
liquidez e certeza”, explica. Em outros Estados como Minas
Gerais, Paraná e Ceará, a medida já é válida.
Para Graiche, se aprovada, a medida além de inibir a
inadimplência, deve facilitar a vida dos devedores que
estão dispostos a quitar seus débitos. “Para
quem quer pagar, sai mais barato pagar no cartório de
protesto do que no fórum, porque não há custos
processuais e nem honorários de advogado. É bom
para todo mundo.”
Com isso, espera-se que as taxas de inadimplência caiam
e, como conseqüência, os valores dos condomínios
se tornem mais justos. “Sempre que há alto índice
de inadimplência, quem paga em dia é penalizado.” Ele
defende que, a inibição da inadimplência
provocada pela possibilidade de “sujar” o nome do
devedor, que terá dificuldades de obter crédito,
terá impacto positivo nas contas dos condomínios,
podendo até reduzir a cota por unidade. “Com o protesto,
será possível evitar rateios extras para cobertura
de inadimplentes. E, quem sabe, em alguns casos pode sobrar dinheiro
em caixa.”
Na opinião do presidente da Aabic, a medida vai beneficiar
ainda pessoas que dependem do recebimento do aluguel para viver. “Não
existe mais latifundiário urbano. A média de propriedade
por locador em São Paulo é de 1,5 imóvel
por pessoa. Os imóveis alugados estão nas mãos
quem necessita da renda. É uma fonte de subsistência.
Não é justo que fiquem esperando um ano pra receber.”
COBRANÇA
Segundo Graiche, a medida deve ser usada com bom senso pelas
administradoras de condomínio. “Independentemente
de ser sancionada ou não a lei, as empresas já têm
know-how para negociar as dívidas. Antes que o locatário
inadimplentes seja protestado, vão ser esgotadas todas
as possibilidades de composicão amigável.”
Conforme a Assembléia Legislativa, o projeto de lei ainda
não foi encaminhado para a sanção do governador,
o que deve ocorrer ainda esta semana. Após o recebimento
do projeto, José Serra terá 15 dias úteis
para sancionar e promulgar; vetar total ou parcialmente; ou ainda
silenciar. Neste caso, a Assembléia terá dez dias
pra promulgar a lei.
Cresce a adoção do seguro
fiança Segundo a Aabic, 7% dos contratos de locação
eram garantidos pela modalidade; hoje, fatia subiu para 30%
Renata Gama
A opção pelo seguro fiança como forma
de garantia nos contratos de locação tem crescido
de forma significativa. Segundo a Associação
das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios
(Aabic), apenas este ano o aumento foi da ordem de 300%.
Se a fatia abocanhada por esta modalidade de garantia nos
contratos de locação era de cerca de 7% ou
8%, hoje fica em torno de 30%.
Cerca de 55% dos contratos ainda são feitos com o
fiador tradicional - quando o locatário pede a um
conhecido ou parente para que se comprometa a pagar o valor
do aluguel e encargos, em caso de inadimplência. E
o fiador oferece um imóvel em seu nome como garantia.
A preferência se explica pelo fato de ser a opção
mais econômica para o locatário. Outros 15%
dos contratos são firmados com garantia feita por
caução - depósito de três meses,
segundo a Aabic.
Para o locador, o seguro fiança é mais confiável,
porque em caso de inadimplência, ele recebe o valor
do aluguel e tem os encargos relativos ao imóvel pagos
integralmente num prazo curto. Para o locatário, há o
inconveniente do pagamento da taxa uma vez por ano.
Quando a garantia é feita por fiador tradicional,
o locador corre mais risco em caso de inadimplência,
já que a cobrança da dívida ao fiador é feita
somente após a ação de despejo do inquilino. “Fiador é sempre
um problema para o locador. Porque ele pode desaparecer ou
vender o imóvel, que é a garantia à locação”,
diz o presidente da Aabic, José Roberto Graiche. Para
o locatário, no entanto, há a vantagem de não
precisar pagar pela garantia.
Um dos motivos para o aumento do número de contratos
com seguro fiança no mercado de locação é a
flexibilização das condições
de aprovação dos contratantes, pelas companhias
seguradoras. O preço também caiu ao longo do
tempo. Antes chegava a uma vez e meia o valor do aluguel.
Hoje, fica em torno de 120%. Isso fez com que o produto ficasse
mais acessível e também mais conhecido, a ponto
de muitos proprietários atualmente só aceitarem
alugar com este tipo de garantia.
Na carteira da administradora Adbens, a proporção
entre contratos firmados com fiador e seguro fiança
foi invertida. No início de 2007, 79% dos contratos
eram garantidos por fiadores tradicionais, ante 10% de seguro.
Em maio deste ano, 37% foram feitos por fiadores e 63% por
seguro.
Isso ocorreu por um esforço da própria administradora,
segundo a diretora Ana Paula Pellegrino: “Foi uma estratégia
de negócios da nossa empresa. A gente apostou no seguro,
passou a incentivar porque houve um abrandamento da exigência
das seguradoras na aprovação do cadastro e é mais
seguro para o proprietário”.
O
Estado de São Paulo Domingo, 29 de junho de 2008
Preço administrado, o próximo vilão Ao contrário do que vinha ocorrendo, reajustes de tarifas,
como a de energia, contribuirão para a alta da inflação
Márcia De Chiara
Os preços administrados deixarão de contribuir positivamente
para segurar a inflação neste ano por causa da disparada
dos Índices Gerais de Preços (IGPs), que são
parâmetros de aumentos de várias tarifas. O IGP-M,
por exemplo, subiu em 12 meses, até junho, 13,44% e a perspectiva é de
que continue em trajetória ascendente nos próximos
meses, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Nas contas da economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria
Integrada, os preços administrados devem aumentar 4,6% este
ano e 4,9% no ano que vem no Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA). Em 12 meses até maio deste ano,
os preços administrados subiram 1,5%, quase a mesma variação
registrada no ano passado inteiro, que foi de 1,65%. Para o IPCA
cheio deste ano, a consultoria prevê elevação
de 6,2% ou mais.
“O momento é arriscado, o nível de indexação
da economia é o mesmo, mas a inflação está aumentando”,
diz ela. Marcela destaca que, além da inflação
dos alimentos, que é base da disparada de preços,
os reajustes das tarifas levam a uma piora no quadro. “Os
reajustes da passagem de ônibus e do diesel virão
mais para o fim do ano.”
Análise semelhante sobre a a pressão dos preços
administrados é feita pelo coordenador de Análises
Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Em 12 meses até junho
deste ano, os preços administrados subiram 1,41%, ante elevação
de 2,45% registrada em 12 meses até dezembro do ano passado.
O recuo é de 1,04 ponto porcentual. Os números foram
calculados a partir do Índice de Preços ao Consumidor-Mercado
(IPC-M).
“Os preços administrados ainda estão dando
uma colher de chá, mas vão começar a acelerar
a partir do segundo semestre, coisa que estamos desacostumados”,
diz Quadros.
Ele lembra que o preço da energia elétrica teve
queda no ano passado por causa da revisão tarifária
e, neste ano, não deve se repetir essa tendência.
Outro exemplo de pressão altista de tarifa deve ocorrer
na telefonia fixa. No ano passado, diz ele, com a mudança
de pulso para minuto, houve queda na conta de telefone. Neste ano
não haverá esse efeito.
Quadros mostra com números do IPC-M que os preços
dos serviços livres já exibem uma elevação.
Em 12 meses até junho, eles subiram 5,52%, ante elevação
de 4,23% em 12 meses encerrados em dezembro do ano passado. Os
serviços livres incluem alimentação fora de
casa, serviços na residência, serviços médicos,
recreação, educação e transporte. “Todas
as classes de serviços livres tiveram elevação
nesse período”, observa o coordenador da FGV.
Segundo ele, a indexação formal está menor,
mas a magnitude de alta dos IGPs acaba tendo impacto maior na realimentação
da inflação. “A saída é negociar
os aumentos.”
É exatamente isso que o músico profissional Gerson
Trincha Oikawa, de 38 anos, pretende fazer para reduzir o seu aluguel.
No mês passado, ele foi surpreendido por um reajuste de 11,8%
no valor que paga mensalmente por uma casa de um dormitório
na Vila Madalena, na zona oeste da cidade. “Sem imposto predial,
eu pagava R$ 626 até abril e, a partir de maio, o aluguel
subiu para R$ 700.”
A diferença de R$ 74 pode parecer pouco, mas não é no
caso de Oikawa, que não recebe um salário fixo. Ele
conta que, nos últimos três anos, os aumentos foram
muito pequenos e, neste ano, ele foi pego de surpresa. “Vou
tentar negociar com o proprietário, alegando que o imóvel
não tem garagem. A minha proposta é manter o valor
pago”, diz ele, que já pesquisou outros imóveis
semelhantes na mesma região em que mora e constatou que “tudo
está muito caro”.
AQUECIMENTO
A estratégia do músico talvez não tenha o
efeito desejado. Segundo o presidente da Associação
das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios
de São Paulo (Aabic), José Roberto Graiche, o mercado
para alugar imóveis está superaquecido hoje na cidade
de São Paulo, com a demanda muito superior à oferta,
especialmente no caso de imóveis de um ou dois dormitórios.
“A situação hoje é delicada”,
diz a gerente de locação e Venda da Lello Imóveis,
Roseli Hernandes. Segundo ela, dois anos atrás, com o mercado
fraco para locações, os reajustes dos aluguéis
pelo IGP-M não eram aplicados ou aplicados parcialmente
pelos proprietários. Hoje, o quadro mudou: há fila
de espera para alugar e os reajustes devem ser efetivados integralmente.
Folha
de São
Paulo Domingo, 15 de Junho de 2008.
Aluguel
em alta
Locações sobem mais que inflação no
ano; para ganhar poder de negociação, inquilino
deve zelar pelo bem
Cuidar
bem do imóvel é o segredo de Cristina Romeiro,
que mora com as filhas (na foto, uma delas), na negociação
do reajuste
MARIANA DESIMONE
Os valores de reajuste das locações têm
superado os índices de inflação, e essa
alta passa pela lei da oferta e da procura. Entre maio de 2007
e abril de 2008, o Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário)
contabiliza um aumento médio de 7,76% dos aluguéis
na cidade de São Paulo contra 5,04% do IPCA (Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O índice
de reajuste de aluguéis da Aabic (associação
de administradoras), por sua vez, aponta alta de 13,55% nos cinco
primeiros meses de 2008, frente a 4,74% do IGP-M (Índice
Geral de Preços do Mercado).
"
A falta de oferta é o principal fator para os aumentos
dos aluguéis", sentencia o vice-presidente de locação
do Secovi-SP, José Roberto Federighi. "Há grande
demanda por imóveis em bom estado em Perdizes [zona oeste],
Higienópolis [centro], Moema, Aclimação
e Vila Mariana [zona sul]", diz. Sofreram maior alta os
que têm até dois quartos e ficam perto do metrô e
de escolas. "O aluguel de um apartamento com um quarto e
garagem no Sumaré [zona oeste] custava em média
R$ 800 [em 2007]. Hoje, vale R$ 1.000 por mês", exemplifica
o dono de imobiliária Lucio Mugnaini. "Imóvel
com esse perfil não fica vazio."
Em falta
Outra explicação para as elevações é um
déficit de lançamentos de imóveis com
o perfil descrito pelo presidente da Aabic, José Roberto
Graiche. "
A população que buscava dois dormitórios
não encontrava. Nos últimos cinco anos, a construção
civil ficou focada em imóveis de alto padrão." Para
José Viana Neto, presidente do Creci-SP (conselho de corretores),
há outro novo componente na equação: o maior
poder de barganha do locador. "Há alguns anos, o
inquilino tinha mais possibilidade de escolha", afirma.
Para equilibrar essa negociação, uma dica para
o locatário é cuidar bem do imóvel. Para
o locador, é vantagem ter um inquilino de confiança.
Houve ainda um movimento migratório na capital, iniciado
em 2003, explica Viana. "Inquilinos de áreas centrais
foram em busca de moradias mais baratas nas áreas periféricas.
Hoje, com maior poder de compra, estão voltando para o
centro."
Jornal
da Tarde Sexta-feira, 30 de Maio de 2008
Aluguel vai
ficar 11% mais caro
Esse é o acumulado de 12 meses do IGP-M, base para reajuste
de 90% dos contratos de locação
CAROLINA DALL’OLIO
Os inquilinos podem preparar o bolso. Os contratos de aluguel
que vencem nos próximos dias vão sofrer aumento
de 11,53%. Essa é a inflação acumulada nos últimos
12 meses pelo Índice Geral de Preços do Mercado
(IGP-M), que serve de base para reajuste de mais de 90% dos contratos
vigentes.
“O aluguel é uma despesa pesada para o consumidor.
Por isso, qualquer variação de preço causa
um impacto significativo no orçamento das famílias”,
afirma José Viana Neto, presidente do Conselho Regional
de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP).
Viana informa que 60% dos aluguéis no Estado de São
Paulo custam cerca de R$ 500. Com o reajuste, esse grupo de locatários
vai ter de desembolsar R$ 57,05 a mais todo mês. “Pode
parecer pouco, mas é preciso levar em conta que quem paga
um aluguel desse valor geralmente não ganha mais de R$
2 mil”, estima o presidente do Creci-SP.
A renovação do contrato de aluguel da profissional
liberal Roseli Martins de Oliveira Reis, de 46 anos, está para
vencer agora em junho. Por isso, a notícia da alta do
IGP-M deixou a locatária preocupada. Para morar em uma
casa de dois quartos no bairro do Paraíso, Zona Oeste
de São Paulo, ela paga R$ 1 mil por mês. Mas de
acordo com os cálculos de Miguel de Oliveira, vice-presidente
da Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac), o aluguel
de Roseli pode subir para R$ 1.114,10. “Eu vou tentar conversar
com o proprietário para que, se houver aumento, ele não
seja assim tão grande”, afirma a inquilina.
Para José Roberto Graiche, presidente da Associação
de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo
(AABIC), a melhor estratégia é mesmo negociar o
reajuste com o dono do imóvel. “O diálogo
entre proprietários e inquilinos é a saída
mais adequada para evitar inadimplência e cancelamento
de contratos”, declara Graiche. Os dados da AABIC comprovam
de que as negociações têm sido bem-sucedidas.
Em 2007, a quantidade de locatários inadimplentes caiu
na mesma medida do número de processos judiciais contra
inquilinos e proprietários: 37% em 12 meses.
Entretanto, Graiche avisa que os locatários não
terão tanto poder de barganha como no passado. “Hoje,
com o mercado aquecido, um corretor demora no máximo 60
dias para alugar um imóvel vazio - o que significa que
tem muita gente disposta a ocupar o lugar de inquilinos que não
quiserem pagar o preço cobrado pelos proprietários”,
diz o presidente da AABIC. “Para se ter uma idéia,
há cinco anos, o prazo era de 180 dias.”
Viana Neto, do Creci-SP, acredita que o reajuste, embora pesado
para os consumidores, corrige uma distorção do
mercado. “Os imóveis que estão ocupados havia
muito tempo não acompanharam a valorização
imobiliária que ocorreu nos dois últimos anos”,
afirma. “Por isso, a alta do IGP-M é uma forma de
recompensar as perdas que os proprietários tiveram nesse
período.”
O
Estado de São Paulo Domingo, 25 de Maio de 2008
Localização não
influencia em taxa
O preço da cota de condomínio está ligado
a custos fixos e não ao valor do imóvel e varia conforme
consumo
Renata Gama
Muita gente pensa que, quando um apartamento fica num bairro
valorizado, necessariamente a taxa de condomínio é alta.
Mas esta é uma idéia falsa. Os principais fatores que determinam
o cálculo do condomínio estão mais ligados às
despesas fixas do prédio e ao número de unidades que entram
no rateio do que à sua localização. Portanto, a
taxa não deve subir quando há valorização
do imóvel, mas se há aumento da tarifa de água,
por exemplo, sim.
Segundo Omar Anauate, diretor de condomínios da Associação
das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios
(Aabic), os gastos com folha de pagamento dos funcionários
da portaria, limpeza e zeladoria são os que mais pesam.
Em média, são responsáveis por 51,94% dos
custos fixos, segundo os dados de março da Aabic.
Em seguida, vêm os custos com consumo de água (12,4%);
as despesas administrativas (8,91%) e de manutenção
como contratos de conservação de elevadores, bombas,
interfones (8,72%); seguidas do consumo de energia elétrica
(5,98%). Depois de somadas todas as despesas, o principal fator
que determina quanto cada condômino vai pagar é o
número de unidades que participam do rateio. Quanto maior
o número de pagantes, menor o valor da taxa.
Apesar de não ser determinante, a localização
pode ter influência indireta nos gastos. “Ela tem
relação com o salário dos funcionários,
que pode variar dependendo do bairro. Um porteiro nos Jardins às
vezes não ganha o mesmo do que trabalha num bairro periférico”,
explica Anauate. Como a folha de pagamento é a responsável
pela maior fatia dos gastos fixos, isso pode dar alguma alteração
nos cálculos.
Algumas características dos condomínios também
podem influenciar nas despesas. A conta pode engordar se as áreas
comuns forem grandes a ponto de criarem a necessidade de contratação
de pessoal extra para administrá-las, como nos condomínios
clubes ou residenciais com serviços.
Já nos prédios de luxo, a taxa de condomínio
alta se justifica pelo pequeno número de moradores que
participam do rateio ou pelo esquema de segurança adotado. “Eles
costumam, além dos funcionários de portaria, contratar
seguranças particulares”, diz Anauate.
NÚMEROS
12,4%
foi a fatia média ocupada pelos gastos com consumo de água
nos condomínios paulistanos, em março, segundo
a Aabic
51,94%
foi o porcentual médio relativo aos gastos com folha de
pagamento nas despesas dos condomínios paulistanos, em
março.
Folha
de São Paulo, Domingo, 11 de Maio de2008
Conta
menor estimula desperdício.
Medidor individual, descarga acoplada e arejador de torneira
poupam bolso e ambiente
Nos casos em que o caminhão-pipa é vantajoso
finaceiramente, a economia pode respingar no ambiente.
O uso desse fornecimento em substituição ao da
concessionária geralmente resulta em desperdício
do recurso natural.
Um prédio comercial consumia 1.600 l de água e
pagava R$ 31 mil à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico
do Estado de São Paulo).
Logo que contratou caminhão-pipa, a conta baixou para
R$ 11.200. Mas, em seguida, o uso da água aumentou 20%,
e a conta subiu para R$ 12.440.
"
Se está mais barato, por que não usar mais? Infelizmente, é assim
que muita gente raciocina", diz a síndica K.M.
A própria Sabesp dá descontos de valores variados
para clientes que tenham consumo superior a 3.000 m3 por mês. "
A idéia é fidelizar o consumidor", justifica
Emília Dalla Rosa, supervisora de marketing da empresa.
Conscientização
Para reduzir ao mesmo tempo a conta e o desperdício de água,
síndicos devem manter os condôminos sempre bem informados
sobre o tema. "
O principal é que os prédios façam sempre
campanhas de conscientização do uso adequado da água",
afirma José Roberto Iampolsky, da administradora Paris
Condomínios. Iampolsky conta que também
surtem bons efeitos conversas com empregados do prédio
e das unidades. "
Se quem lida mais com água é a empregada da casa, é importante
explicar para ela como economizar", sugere.
O condomínio tem de ser o primeiro a dar o exemplo: "Não
pode haver desperdício de água nas áreas
comuns do prédio", pontua Fernando Fornícola,
diretor da Habitacional e da Aabic (Associação
das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios
de São Paulo).
Medição individual
Dispositivos como medidor individual para cada apartamento podem
ser adotados pelo condomínio para reduzir a conta e
o desperdício. "
Se há uma única conta para todo o conjunto, fica
realmente mais difícil cativar o morador para economizar água",
argumenta Fornícola. "
Mas, se ele percebe uma redução imediata na sua
própria conta, a tendência será se esforçar
mais", completa.
Há outros dispositivos que colaboram com a diminuição
do volume de água consumido dentro das unidades: a caixa
de descarga acoplada ao vaso, em vez da de parede, possibilita
uma diminuição de 12 l de água a cada vez
que é usada.
Torneiras automáticas com arejadores, que dão impressão
de maior volume do jato, aliados a restritores, que diminuem
a vazão da água, também colaboram com menor
tempo de uso do recurso natural. "
Se conseguir combinar medição individual, campanhas
educativas e dispositivos inteligentes, o prédio pode
chegar a 30% de economia na conta de água", aponta
Fornícola.
O Estado de São Paulo Domingo, 30 de Março de 2008
Fachada reformada valoriza unidades
Valor de apartamentos em prédio triplicou após
modernização
Renata Gama
A aparência de um condomínio muito diz sobre a
forma como ele é conservado ao longo dos anos. Tanto que é capaz
até de influenciar no valor das unidades. “O mercado
está percebendo que o tratamento das fachadas é importante
não apenas pela harmonia, pelo aspecto estrutural e construtivo,
mas também para promover alguns benefícios para
o próprio edifício”, afirma o vice-presidente
da Associação Brasileira dos Escritórios
de Arquitetura (Asbea), Fernando Pinheiro. A entidade promove
a partir de amanhã um fórum com o objetivo de discutir
o assunto.
A valorização dos apartamentos como decorrência
de recuperação de fachada foi o resultado, por
exemplo, verificado nos três edifícios do condomínio
Jardim América, na Rua da Consolação, nos
Jardins, zona sul, que passou por um retrofit. “Antes tinha
apartamento à venda por R$ 80 mil e ainda não encontrava
quem quisesse comprar. Hoje, tem quem compre a R$ 220 mil à vista”,
afirma a síndica Ofélia Rocha Castro.
Há cinco anos, o aspecto do condomínio era completamente
deteriorado. “A fachada era feia, suja e toda estragada.
A gente ouvia as pessoas na rua chamarem o nosso prédio
de gaiola”, recorda. “Não tinha cara de residencial.”
Isso porque, além da má conservação,
as janelas era divididas externamente ao meio por placas de concreto
- uma solução de engenharia encontrada na época
da construção, há 36 anos, para barrar o
vento. “Nós ficamos numa região alta, e este
foi um dos primeiros prédios acima de 20 andares construídos
por aqui”, explica.
A alternativa, no entanto, prejudicava a estética do
prédio. Assim, quem olhava o edifício por fora,
formava uma idéia errada de como ele era a distribuição
por dentro. “O pessoal não imaginava o tamanho dos
apartamentos (de dois e três quartos). Olhava e achava
que era de um quarto ou quitinete”, diz Ofélia.
Ela explica que as unidades são bastante amplas e contam
com salas de 8 m comprimento por 4 m de largura. E há blocos
com uma unidade por andar. “É difícil encontrar
um apartamento desse tamanho.”
Para modernizar o visual do prédio, em primeiro lugar,
foram retiradas todas as placas externas que dividiam as janelas,
o que tornou a aparência geral mais limpa e despoluída.
Depois, toda a fachada, que tinha acabamento em concreto já bastante
escurecido, foi pintada com cores mais claras, o que deu ao condomínio
um caráter residencial.
APROVAÇÃO
Uma obra grande como esta obviamente custou mais do que se fosse
apenas de manutenção. Na época, o orçamento
ficou em torno de R$ 800 mil - uma despesa extra que foi rateada
entre os proprietários. Além disso, o trabalho
durou três anos.
Mesmo sabendo disso, o condomínio não enfrentou
dificuldades para conseguir a aprovação dos moradores
em assembléia para o início das obras. “Foi
aprovado por unanimidade; todo mundo queria porque não
tinha mais condições de morar aqui daquele jeito”,
diz Ofélia.
Durante a reforma, segundo a síndica, os moradores foram
compreensivos com o incômodo do barulho e da sujeira. “São
problemas de toda obra, mas o pessoal colaborou muito. Ninguém
achou ruim.”
A mudança acabou valorizando também as outras áreas
comuns do condomínio. “Temos uma área maravilhosa
com jardim e plantas criado pelo paisagista Burle Marx.”
Entretanto, mesmo após a reforma da fachada, o trabalho
da síndica não pára: “Agora estamos
trocando os elevadores”, diz.
Modernização
pode chegar a R$ 1 milhão
Embora alto, investimento tem retorno certo, diz especialista:
valores de imóveis podem subir de 15% a 20%
Retrofit de fachada implica modernização, o que
significa alterar as características originais do acabamento
do prédio. Portanto, esta é uma obra maior que
a de manutenção e também mais cara. Conforme
Rafael Nasser e Silva, diretor da empresa Engefix, especializada
no serviço, enquanto a manutenção fica em
torno de R$ 100 mil, o retrofit ultrapassa os R$ 500 mil e pode
chegar até a R$ 1 milhão.
Segundo o executivo, o investimento é alto, mas o retorno é certo. “O
objetivo principal deste tipo de obra acaba sendo a valorização.
As pessoas têm nos falado que gira em torno de 15% a 20%.”
Como toda obra realizada na fachada de um condomínio,
o retrofit necessita ter aprovação dos proprietários
em assembléia. Porém, o número de votos
necessários é maior do que no caso de manutenção. “Quando
a obra é de recomposição da fachada, por
estar danificada ou suja, sem alterar aspectos arquitetônicos, é chamada
de ‘obra necessária’ e pode ser aprovada com
a maioria simples dos condôminos presentes na assembléia
sem necessidade de quórum especial”, explica o presidente
da Associação das Administradoras de Bens Imóveis
e Condomínios (Aabic), José Roberto Graiche.
No entanto, quando a obra vai alterar as características
da fachada, a legislação pede a unanimidade dos
presentes. “Entretanto, nossos tribunais têm dado
ganho de causa aos condomínios que alteram fachada com
autorização de dois terços dos condôminos”,
afirma.
Mas para Hubert Gebara, vice-presidente de Administração
de Condomínios do Sindicato das Empresas de Habitação
de São Paulo (Secovi-SP), para que o edifício obtenha
uma valorização maior, além do retrofit
na fachada, é importante não esquecer dos demais
aspectos estruturais do condomínio.
“Não adianta reformar a fachada e deixar elevadores
velhos, vazamentos, etc”, alerta. Segundo ele, é imprescindível
rever de tempos em tempos as instalações hidráulicas
e elétricas. Com essas mudanças, ressalta ele,
a valorização pode chegar até 30%. “Isso
se for bem escolhida a reforma”, ressalta.
FUNDO PREVENTIVO
Para que este tipo de despesa não pese tanto no bolso
dos proprietários e possa ser feita regularmente, Gebara
recomenda que se crie um um fundo específico para obras
futuras. “Seria um tipo de seguro do prédio, que
pode ser depositado mensalmente em conta separada”, diz.
Esta é uma prática que já ocorre nos Estados
Unidos. “Após dois ou três anos, se quiser
reformar, tem dinheiro.”
Revista
Construção & Negócios, Edição nº09 - Fevereiro 2008
MERCADO IMOBILIÁRIO
O velho e bom aluguel
Camila
Escudero
Quem nunca ouviu a história de que aqui, no Brasil, o
melhor investimento que alguém poderia fazer durante a
vida era comprar duas ou três casinhas para, na velhice,
ter no aluguel uma fonte de renda garantida (além da irrisória
aposentadoria do INSS), que atire a primeira pedra. Num país
marcado, historicamente, por instabilidade econômica e
sucessivas crises políticas, não foi difícil
o imóvel – um bem físico e real – ocupar
o posto de primeira opção de investimento entre
os mais variados níveis financeiros.
Hoje, no entanto, muita coisa mudou. Com a inflação
há pelo menos 13 anos sob controle, perspectivas de crescimento
e de baixa dos juros, aberturas no mercado de ações,
além da infinita gama de opções oferecidas
pelos bancos (previdência privada, poupança, CDBs,
RDBs, apenas para citar algumas modalidades), quem investe em
imóvel é taxado como conservador. Mesmo assim,
com todos os prós e contras, a locação ainda é considerada
por muitos uma opção de investimento rentável.
“É inegável que investir em imóvel
traz um conforto psicológico muito grande. Quem coloca
90% do seu patrimônio num imóvel dorme tranqüilo;
já quem aplica 50% dele em ações, por exemplo,
não dorme tão bem assim”, avalia Mauro Halfeld,
especialista no mercado financeiro nacional, professor titular
da Universidade Federal do Paraná e autor de vários
livros, entre eles Seu imóvel: como comprar bem. Segundo
Halfeld, outra vantagem é que o imóvel é um
grande disciplinador. “Nenhum outro investimento impõe
tanta disciplina ao investidor porque, no geral, todo mundo se
aperta, poupa daqui e dali para comprar uma casa, o que não
ocorre, por exemplo, com uma aplicação, que recebe
dinheiro somente quando sobra”, avalia.
José Roberto Saldanha Federig, vice-presidente de locação
do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação
e Administração de Imóveis Residenciais
e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), concorda que, especialmente
numa sociedade de consumo, é muito difícil guardar
dinheiro, mas diz ainda que tudo é uma questão
de tradição. “É difícil definir
o perfil de quem investe em imóvel. Se um pai lê o
jornal A, provavelmente o filho também o lerá.
A mesma coisa ocorre com os investimentos. Quem vive numa família
que, tradicionalmente, aplica em imóvel, provavelmente
vai achar que é um bom negócio”, afirma.
Independentemente disso, o imóvel sempre foi e será um
bem atrativo; soma-se a isso o fato da locação
ser um dos entes mais dinâmicos do segmento imobiliário – e
o mercado locatário, pelo menos de São Paulo, vai
muito bem, obrigada.
De acordo com números da Associação das
Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de
São Paulo (AABIC), em agosto, o Índice Periódico
de Valores Médios dos Aluguéis Residenciais (Ipevemar)
registrou alta de 1,09% em relação a julho. O número
está um pouco acima da inflação medida pelo
IGP-M no mês (0,98%), mas já acumula valorização
de 15,14% nos últimos 12 meses, contra apenas 4,63% do
IGP-M. Ainda de acordo com a entidade, a maior alta na comparação
entre julho e agosto ficou por conta dos apartamentos de um dormitório:
10,45%, seguida das casas de um dormitório, que teve valorização
de 8,23% em agosto. Entre as regiões da capital paulista,
o campeão de alta dos aluguéis foi o grupo que
corresponde a bairros de uso residencial e comercial e de médio
padrão (como Aclimação, Bela Vista, Bosque
da Saúde, Cerqueira César, Conceição,
Consolação ou Interlagos, entre outros): nesse
segmento, a alta foi de 6,5%.
“As expectativas para o mercado de locação
são as melhores possíveis”, afirma José Roberto
Graiche, presidente da AABIC, principalmente se considerarmos
investimentos em imóveis residenciais e conjuntos residenciais
de pequeno porte (um e dois dormitórios, ou de conjuntos
comerciais de pequeno porte, em torno de 30 e 40 metros quadrados). “Nesses
segmentos, o retorno financeiro está entre 0,8% a 1% do
valor do imóvel. E ainda há de se considerar a
valorização anual do patrimônio”, argumenta,
completando que “é um investimento com valorização
garantida e sem riscos. Nos últimos meses, só perde
para a aplicação em ações”.
O professor Mauro Halfeld diz que, embora os imóveis
rendam menos que as ações em longo prazo, são
bem menos arriscados porque não têm liquidez. “O
problema das ações é a enorme liquidez.
Nos imóveis, as pessoas não saem vendendo tudo
a qualquer rumor de crise. Além disso, investir em ações
em curto prazo é imprevisível. Numa linha de opções
de investimento, colocaria o imóvel no caminho entre as
ações e a renda fixa em longo prazo”. Perguntado
sobre a poupança, Halfeld até brinca: só investe
nela quem tem pouco dinheiro ou é muito pão-duro.
José Roberto Graiche diz ainda que a valorização
do mercado de locação não é apenas
um processo de recuperação dos valores – que
ficaram defasados durante muito tempo, o que levava os proprietários
de muitos imóveis a preferir deixá-los fechados,
ao invés de alugá-los. “Em 2003, o tempo
para conseguir locar um imóvel em São Paulo era
de seis meses. Hoje, trabalhamos com o prazo de 40 dias. E só não
aluga quem está com o preço fora do mercado ou
tem o imóvel em péssimo estado de conservação”.
O boom imobiliário
O diretor de pesquisa macroeconômica do Bradesco, Octávio
de Barros, diz que é preciso avaliar ainda o boom imobiliário,
que disponibiliza uma infinidade de opções de compra – o
que atrai todo tipo de investidor, “do estrangeiro àquele
que quer viver de aluguel na velhice”. “Somam-se
a isso as opções de crédito imobiliário,
que já estão crescendo e têm possibilidades
imensas de aumentar ainda mais. Esse crédito totaliza
hoje, no Brasil, 1,8% do PIB (na Espanha é de 50%). Isso
não é nada frente ao déficit habitacional
do país”, acredita. Segundo o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), este déficit
gira em torno de sete milhões de moradias, atualmente.
De acordo com a Associação Brasileira das Entidades
de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP),
no último mês de setembro o volume de operações
contratadas pelos agentes financeiros atuantes no Sistema Brasileiro
de Poupança e Empréstimo (SBPE), que operam com
recursos das cadernetas de poupança, atingiu R$ 1,85 bilhão,
elevando para R$ 12,18 bilhões o valor acumulado de janeiro
a setembro de 2007. Além de representar um novo recorde
de contratações num único mês, o volume
superou em 136,89% o valor das contratações realizadas
em setembro de 2006, quando as operações totalizaram
R$ 782 milhões. Em 12 meses, terminados em setembro do
ano passado, o volume contratado atingiu R$ 14,79 bilhões,
com crescimento de 78,2% frente aos 12 meses anteriores. No que
se refere ao número de unidades, somente em setembro foram
financiados 18.170 imóveis; no acumulado do ano, o total
chegou a 135.363, com aumento de 64,99% em relação
aos primeiros nove meses de 2006. Já no período
compreendido entre outubro de 2006 e setembro de 2007, 167.191
imóveis foram financiados.
Ainda segundo o diretor do Bradesco, o país vive a iminência
de um fenômeno: a prestação do financiamento
se aproximando ao valor de um aluguel. “Acredito que daqui
a um ano e meio, mais ou menos, teremos uma equiparação
entre os valores. E, ainda, daqui a uns cinco anos, o refinanciamento
de imóveis – como hoje já temos com os automóveis – será uma
realidade para qualquer proprietário”, afirma, prevendo
ainda que a taxa real de juros no país fique em torno
de 5% nos próximos três anos.
Apesar das boas expectativas com o crédito imobiliário, é utopia
acreditar que, com as novas condições de financiamento,
todos os brasileiros terão acesso à casa própria.
Pelo menos é o que afirma José Roberto Graiche,
da AABIC. Segundo ele, em países desenvolvidos, onde o
crédito imobiliário é ainda mais acessível
que o brasileiro, e onde a renda do trabalhador é superior à nacional,
a média do mercado de locação chega a 50%
dos imóveis disponíveis. “Não há por
que acreditar que, justamente aqui, o fenômeno será diferente
e todos os brasileiros terão um imóvel próprio.
Ainda há muito espaço para se investir”,
diz Graiche, baseando-se no número de domicílios
locados no Brasil – que, de acordo com ele, chega a 20%,
frente a 50% ou 60% de outros países.
Gastos com imóveis
Um argumento constante contra a locação como opção
de investimento são os gastos que o proprietário
do imóvel normalmente tem com corretor, cartório,
administrador imobiliário, advogado, manutenção
obrigatória (custos com pintor, pedreiro ou eletricista,
entre outros), além de preocupações com
depreciação do imóvel.. “Mas é preciso
levar em consideração que o aluguel oferece uma
renda do capital aplicado, mais a valorização do
imóvel e aumento do patrimônio; tudo deve ser colocado
na balança”, argumenta José Roberto Graiche,
presidente da AABIC.
Além disso, é necessário contabilizar,
na hora de se escolher o investimento, as taxas cobradas pelos
bancos para administrar as aplicações. “Nos
fundos de renda fixa e nos de ações, por exemplo,
há uma cobrança dos bancos sobre o patrimônio
(capital) e sobre o rendimento; no caso dos aluguéis,
as administradoras cobram só pelo rendimento”, explica
o professor Mauro Halfeld. A média cobrada pelas administradoras,
hoje, gira em torno de 10% do valor do aluguel.
Legislação garante segurança aos contratos
de locação
A chamada Lei do inquilinato, de 1991, regrou, protegeu e organizou
o aluguel de imóveis, além de permitir o bom desenvolvimento
do mercado.
Por 50 anos, até o começo da década de
90, o mercado de locação no Brasil viveu períodos
de turbulência não só pela instabilidade
jurídica, mas também pelas sucessivas crises e
pacotes econômicos (mesmo em época de inflação
alta, por exemplo, os valores dos aluguéis eram reajustados
apenas a cada seis meses), o que resultava, principalmente, em
imóveis vazios e aluguéis elevados (diante da escassez
da oferta), além de proprietários resistentes à celebração
de contratos, investimentos em fuga e falta de moradias e de
imóveis para o desempenho de atividades comerciais.
O cenário mudou, no entanto, com a chegada da conhecida
Lei do inquilinato (Lei nº 8.245), aprovada pelo então
presidente da república, Fernando Collor de Mello, em
18 de outubro de 1991. “Na época o mercado locatário
precisava de paz e de regulamentação. Foi preciso
um grande esforço para conscientizar os dois lados, tanto
os inquilinos como os locatórios, de que todos precisavam
de proteção judicial, para não ficar naquela
briga de bandido e mocinho”, lembra José Roberto
Graiche, presidente da Associação das Administradoras
de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo
(AABIC).
Entre outros pontos, a Lei do inquilinato permite ao locador
a denúncia vazia, ou seja, a faculdade de rescindir a
locação sem obrigação de demonstrar
a razão ou o motivo da necessidade de retomada do imóvel
(antes vedada em locações residenciais); admite
a cobrança de “luvas” no início do
contrato de locação empresarial; a escolha entre
várias modalidades de garantia; a penhora do imóvel
residencial do fiador; permite multas; prevê facilidades
e até a cobrança antecipada do aluguel em locações
para temporada ou naquelas celebradas sem qualquer garantia;
exige para a renovatória o cumprimento à risca
do contrato pelo locatário; atribui somente efeito devolutivo
a apelações, viabilizando a rapidez das demandas
judiciais; e concretiza a fixação de alugueis provisórios
compatíveis com o mercado, no curso de ações
judiciais.
De acordo com Graiche, não foi a melhor lei, mas a que
se conseguiu. E, para a época, foi considerada bastante
moderna – tanto que vigora até hoje. “O importante é que
conseguimos pacificar o mercado, regrar, proteger e organizar
a locação de imóveis. Se antes o aluguel
era campeão de reclamações no Procon, hoje
quase não há registros desse tipo de queixa”.
O presidente da AABIC reconhece, entretanto, que há muito
ainda no que se avançar: “por conta da sobrecarga
da Justiça, as ações de despejos devido à falta
de pagamento demoram muito (cerca de dois anos). Além
disso, o seguro fiança ainda é muito caro e achar
um fiador – ainda que esta figura esteja presente em 85%
dos contratos de locação de São Paulo – está cada
vez mais difícil”.